Tecnologia avançada auxilia na avaliação de danos no rompimento de barragem em Pontalina

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, finalizou o relatório de dano ambiental referente à barragem da Fazenda São Lourenço das Guarirobas que rompeu no dia 04 de janeiro, no município de Pontalina. A produção do documento teve a ajuda de um equipamento de alta tecnologia, que deve integrar cada vez mais os trabalhos da pasta.

Um drone do modelo Phantom 4 Advanced foi utilizado pela força-tarefa destacada para o incidente para produzir imagens da região afetada pela passagem da água que veio da barragem. Os técnicos realizaram quatro voos ao longo dos córregos Jataí e do Mateiro, que resultaram na produção de 828 fotos de uma área total de 190 hectares. Segundo a secretária Andréa Vulcanis, o equipamento foi essencial para a rapidez do processo. “As imagens de satélite disponíveis apresentavam muitas nuvens, até pelo próprio período chuvoso desta época do ano. A utilização do drone permitiu que as imagens fossem feitas com qualidade sem a necessidade de aguardar novos registros espaciais”, explica.

O Phantom 4 Advanced vem munido com um sistema duplo de orientação via satélite, GPS e Glonass (sistema de navegação por satélite russo), além de uma câmera com sensor de 1 polegada e 20 MP, podendo ser mantido em voo por até 30 minutos com uma bateria. 

De posse das cenas foi realizado o processamento fotogramétrico digital de imagens, obtendo o ortomosaico, que é a junção das cenas em um único arquivo, modelo digital de terreno e curvas de nível. De posse do mosaico, foi realizada a interpretação da área com um software específico, com a finalidade de vetorizar o dano ambiental, comparando imagens anteriores e posteriores ao rompimento do barramento. 

“Com a tecnologia do drone, foi possível visualizar a abrangência que o rompimento da barragem causou, acompanhando a mancha de inundação de água por aproximadamente 5 quilômetros, com a quantidade de área de vegetação nativa degradada pela força da água e as erosões que surgiram ou cresceram com a passagem abrupta da água”, relata Andréa Vulcanis. Segundo o relatório produzido, foram detectados 11,88 hectares de vegetação nativa degradada, sendo 10,7 hectares dentro de área de preservação permanente (APP) e 1,18 ha fora de APP.

Com o relatório pronto, o proprietário da barragem foi autuado em R$ 275,6 mil por conta das degradações ambientais - ele já havia sido multado em mais de R$ 100 mil por irregularidades na estrutura de engenharia da represa.

Para a secretária Andréa Vulcanis, a tendência é a de utilização cada vez mais frequente das tecnologias disponíveis. “A própria legislação do novo licenciamento ambiental aponta para um estímulo do uso da tecnologia nas vistorias, análises e investigações da secretaria. Nossa intenção é a utilização de recursos do Fundo Estadual do Meio Ambiente no estruturamento desta área”, afirma.